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18 de dezembro

No último domingo, dia 18, completou 1 ano que temos nossa filha em casa. Confesso que dias antes lembrei da data, mas no dia propriamente dito, esqueci. Lembrei novamente ontem, queria ter escrito algo, não deu tempo. Tá dando agora, madrugada de terça… Acontece. O tempo voa, cada segundo do dia é ocupado, ainda mais final do ano, que parece que o dia tem carga horário reduzida com tantas coisas pra finalizar.

Aí, começa a escrever texto, lembra que tem mais um monte de coisas pra fazer, vai lá na agenda, anota tudo pra não esquecer. Não dá pra confiar no próprio cérebro.

As fotos são daquela manhã, do dia 18/12/2015, depois de 51 dias do seu nascimento, a gente finalmente estava indo de alta pra casa. E ao chegar, uma linda surpresa dos amigos Thiely e Abel, que estiverem com a gente em todos os momentos. Antes, durante e depois. Foram 50 longos dias, onde eu também estava lá, internada no hospital, morando num andar abaixo da UTI Neonatal, com outras mamães guerreiras, aguardando esse tão esperado dia. O protocolo de alta hospital é igual ao de uma criança que nasce, e após 3 dias vai pra casa. A enfermeira acompanha a gente até a recepção, ganhamos uma árvore para plantar e olhares de todos orgulhosos por mais uma mamãe saindo do hospital com seu filhote. Que bom foi passar por isso.

Hoje, depois de tudo que já passamos, o saldo é positivo. Lembro com gratidão de toda superação que já passamos. Lembro de medos que tínhamos e deram lugar a confiança, de incertezas que deram lugar a fé, de dificuldades que foram superadas, de novas dificuldades que vem e vão… É o ciclo da vida. É a vida se mostrando capaz de aprendermos com as dificuldades, de superarmos o impensável, de sentirmos orgulho da nossa filha mexendo perninhas frenéticas e demonstrando alegria ao ver nossos rostos ao acordar pela manhã.

Sempre disse isso e continuarei a dizer, sou muito grata a Cecília por me dar a chance de viver essa vida com ela, por ter me escolhido, por me amar, respeitar meu tempo e me ensinar o verdadeiro valor da vida que vivemos.

A vida mudou desde aquele ultrassom, desde lá, nunca mais fui a mesma. Às vezes me pego pensando no dia de amanhã, pois é nosso vício querer planejar, então, enxugo a lágrima e digo pra mim mesma: viva o hoje. E o importante é agradecer mais um dia ao lado dela, ao lado da nossa família. Agradecer mais um dia de aprendizados, conquistas alegrias e superações.

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“Não é preciso apressar o passo, mas acalmar o coração…”

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Novos sentidos

Faz tempo que não passo por aqui. Eu que criei o blog, mas o Thiago que tem sido o escritor mais frequente por aqui. Vai ver é a falta de tempo hehehe

Foram 51 dias de hospital e no dia 18/12/2015 recebemos alta. Um sentimento paradoxal tomou conta de mim. Eu deveria estar saltitando de felicidade, afinal, se seu filho não precisa mais estar ali, sendo monitorado 100% do tempo, é porque está estável e pronto para ir pra casa né!? Nenhuma mãe quer seu filhote no hospital, no máximo no pediatra 1x ao mês, ou nos posto de saúde pra tomar as vacinas. Mas uma mãe que passa os primeiros 51 dias de vida de seu filho numa UTI tem muito medo de ir pra casa.

Acredito que todas as mães, ao ganharem alta após 3 dias do nascimento tem um frio na barriga grande, mas posso garantir, esse é um medo diferente.

Você se acostumou a conferir no monitor a frequência cardíaca do seu filho, você se acostumou a conferir a saturação na tela, sabendo que ele está respirando certinho… em casa não tem monitor, não tem enfermeira pra você chamar, não tem médico pra você tirar suas dúvidas. Além do quê, você se apega nas pessoas da UTI que te tratam com tanto carinho. Não que em casa você não tenha carinho, afinal, em casa são os avós, os tios, os amigos que enchem você e o filhote de amor. Mas, a gente se apega nesses profissionais… Enfermeiras, fisioterapeutas, médicos, todos te dão segurança, conforto, carinho e respostas. Chegar em casa e não ter pra quem perguntar: será que é cólica? será que dou remédio? será que tá na hora de dar leite? será que é refluxo? será que troco a marca do leite?… dúvidas que todo mundo tem né? Mas até então você perguntava para profissionais da saúde e agora não tem mais eles. Tanto é, que é super comum as mamães que saem da UTI voltarem para o Pronto Atendimento dias depois.. e foi o que fizemos 2x. Mas não era nada, só algumas dúvidas.

A rotina não tem sido fácil, ou seja, nada fora do normal para um bebê de 2 meses. Noites em claro, cólicas, prisão de ventre. Cecília toma vários medicamentos, tudo via gastrostomia, o que é sempre uma função a mais medicar ela. Não é simplesmente colocar na colher ou seringa e colocar na boca do bebê. Tem que diluir o remédio, aplicar, limpar a sonda, então lavar as seringas e guardar tudo. Sem contar a alimentação. Mas não vim aqui descrever a complexidade disto.

Vim aqui falar que estamos felizes com nossa bebê linda em casa. É uma linda, tem um olhar cheio de alegria, fofura e ternura. Começa a ganhar algumas dobrinhas e quando chora, sai de perto. Brincamos que ela é o Incrível Hulk e quase quase fica verde! hehehe… É bravinha, mas tem seus motivos. Ninguém merece sentir as dores da cólica ou do refluxo. Dorme feito um anjo, tem o sono pesado e pode fazer o barulho que for, se estiver ferrada, não acorda pra nada. Muitas vezes me pego emocionada olhando pra ela. Sei que já lutou muito, que vai lutar ainda mais e que este ano de 2016 será o ano de corrermos atrás de todas as respostas que tanto esperamos obter em 2015, mas fomos obrigados a esperar pacientemente (ou não).

Como disse o Thiago: ” Que 2016 traga possibilidades e nos permita colocar prática tudo aquilo que ficamos pacientemente aguardando em 2015.
Que tenhamos a oportunidade de lutar por nossas anseios. Que o tempo seja tolerante e nos permita usá-lo à nosso favor. Que a paz reine em nossos corações e que o amor nos guie.
Que o próximo ano seja melhor do que passou e que faça parte do início de uma época de esperança e vitórias.”

Ontem uma mãe de Belo Horizonte, me chamou no Facebook pra conversar. Queria dizer que achou nosso blog e que está passando pelo mesmo que passamos e ao ler nossos relatos, disse que o blog estava servindo de manual para eles. Meu coração se encheu de alegria. Não somos experts no assunto, não somos referência de muita coisa, mas ao saber que outros pais estavam lendo e se encontrando no meio de nossas palavras, me senti emocionada.
Poder ajudar de alguma forma pessoas que passam pelo menos que nós, faz tudo isso ganhar um novo sentido.

Que 2016 seja repleto de novos sentidos em nossa vida!

 

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Respira, inspira!!!

Somos ansiosos, queremos controlar tudo, queremos resolver (eu sou assim).

Nunca passei por uma situação de perda ou dor. Nunca perdi um ente querido. Quando pequeno acompanhei algumas cirurgias da minha mãe, mas não entendia a gravidade, só via meu pai preocupado e angustiado.

Hoje, sei o que é ter um filho, entendo o tal “amor incondicional”. É diferente, é inexplicável.

Não entendia o que alguns pais falavam (nem o meu) sobre esse sentimento.  No começo, quando falávamos em ter um filho, eu como sempre, tentava ser racional, me culpava por ser egoísta, pensar que deveria aproveitar melhor a vida. Heim!? Como? Como dizem “sabe nada inocente”….

Depois de um tempo a ficha caiu. A única forma de deixar algo nesse mundo é através de uma nova vida. É a nossa herança, nossa esperança, é a chance de mudar, melhorar, deixar algo para alguém.

Ter um filho, é saber que a história continua, não importa por quanto tempo, não importa como ou se a história vai durar, mas ela existe. Um filho traz a tona alguns sentimentos que nem sabemos que existem.

Alguns se preocupam com a falta de sono, outros com dinheiro, educação, fraldas, alimentação…. Ix! Dá pra viver em uma paranoia eterna. Eu me preocupava com tudo isso. Hoje só desejo que a Cecília, inspire e respire sem precisar de aparelhos. Amanhã certamente me preocuparei com outras coisas; quem sabe com ela mamar no peito, ou com a válvula DPV; depois pode ser que a preocupação seja com a quantidade de leite e depois, mais pra frente vou me preocupar com o excesso de Pepa Pig, comida transgênica, escola bilíngue… Tomara!

Hoje ouvi uma música, que fez sentido….

He told me, son, sometimes it may seem dark
But the absence of the light is a necessary part
Just know, you’re never alone

Uma das coisas mais incríveis que tem acontecido nesse processo todo é a força que a gente recebe, de clientes, amigos, familiares, muitos oram com a gente, deixam uma energia tão positiva que aquece nossos corações!

Nossos pais também, meu pai, meu exemplo, um cara que me inspira, sempre! Minha mãe, também uma pessoa de coração gigante, forte e sempre disposta a ajudar todo mundo. Pais, tenho muito orgulho de vocês!

Meus sogros são pessoas lindas, sempre nos ajudando e apoiando!

Estamos cercados de pessoas lindas, às vezes nem esperamos delas tudo isso, nem sabemos se merecemos, mas a questão é que nos sentimos amados e somos muito gratos por todo o carinho que recebemos!

Viva a Cecília!

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31 semanas

Passando só pra relatar que acabamos de voltar da ultrassom, é sempre um misto de ansiedade, alegria e um pouco de preocupação.

A Cecília já pesa aproximadamente 2,5kg, tem muitos cabelinhos, um pézinho per-fei-to e é tímida! hehehe Vive com a mão no rostinho, fazendo charme pra gente!

Tão gostoso ver nossa pequenininha e saber que todo seu corpinho está funcionando realmente muito bem. Isso tudo contribui para que ela possa fazer a cirurgia assim que nascer.

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